Tempo

Não tenho tido tempo para alimentar este Blog. Consultar o site: http://www.leonelmoura.com

Teatro robótico


O robô Naná (Babá em brasileiro) em testes… (gravado com um telemóvel)

Apresentação pública em Lisboa
14 de Maio, Sexta-feira, 22:00 horas
Espaço Robotarium, LxFactory

RUR, O Nascimento do Robô é a adaptação de Leonel Moura da peça de teatro escrita por Karel Capek. A narrativa distópica, mas sobretudo o facto de ser nesta peça que aparece pela primeira vez a palavra Robot tornaram-na num clássico da temática do conflito entre homens e máquinas inteligentes.
A versão de Leonel Moura altera significativamente a narrativa, já que os robôs têm um papel bastante mais ativo e a dissertação moralista é totalmente eliminada. Mas, mais importante e pela primeira vez, os robôs representam-se a si mesmo contracenando com os atores humanos. Três robôs, Naná (Babá em brasileiro), Primus e Helena, movem-se livremente no palco, representam, falam e interagem com os atores humanos de forma autónoma.

RUR, O Nascimento do Robô estreia em Agosto em São Paulo, Brasil, na sala do Itaú Cultural.

Arte grátis

Este retrato de Rómulo de Carvalho (à direita), produzido pelo robô ISU a partir da foto da esquerda, foi editado em serigrafia (numa tiragem de 200) e será oferecido aos visitantes do último dia da exposição INSIDE [arte e ciência].
Duas observações. Primeiro, o meu gosto em oferecer obras de arte, já que me parece que a arte deve aprender com a Internet e o seu princípio de gratuitidade e partilha. Segundo, o facto da composição de ISU partir do local, pois o robô só vê uma pequena área da imagem, para gerar um efeito global na linha do conceito de Gestalt em que o Todo é superior à soma das partes.
O resultado nem está nada mal. Sobretudo para um robô. O que me abre novas possibilidades a explorar…

INSIDE [arte e ciência]

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A primeira grande exposição da arte do século XXI abre a 24 de Setembro na Cordoaria em Lisboa.
Consultar o site: www.inside.com.pt

Concurso Ideias Criativas

Está aberto o Concurso de Ideias Criativas
Basta enviar um video até 5 minutos (3 minutos é o ideal) com uma ideia criativa e inovadora
São atribuídos 10 prémios de 1000 euros cada, mas a notoriedade e a visibilidade também contam…
Participa. Divulga.
Mais informação em:
http://criar2009.gov.pt/ideiascriativas/

Poesia robótica

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Mais um marco na criação da arte do futuro. Quinta-feira, 7 de Maio, é lançado, em Coimbra no Museu da Água, o primeiro livro de poesia escrito por um robô.
O livro apresenta 30 poemas escritos pelo robô ISU.
Mais info aqui

Inauguração

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Duas imagens da inauguração dos Jardins Portáteis no Terreiro do Paço. A apropriação dos jardins pelas pessoas foi imediata, havia gente a ler, conversar e namorar.

Jardins Portáteis

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Instalação de 45 Jardins Portáteis no Terreiro do Paço a partir de 24 de Abril (inauguração às 16.00 horas) e que se prolongará pelo Verão.

O projecto dos Jardins Portáteis foi apresentado pela primeira vez na Bienal de Valência em 2003. Trata-se de uma obra que explora o mecanismo da combinação como forma de gerar criatividade e inovação. Neste caso, juntou-se um banco, uma árvore e umas rodas dando origem a um Jardim que se pode deslocar conforme a vontade do utilizador. Quer para criar núcleos de conversa entre amigos, quer para procurar a melhor posição ou sombra, quer ainda pelo simples prazer lúdico de usufruir de uma obra de arte singular.

No plano do conceito esta obra integra a chamada “Arte Pública” destinada, por exemplo, a introduzir o “verde” em Praças ou áreas da cidade onde não existe vegetação. Pode igualmente ser apresentada em espaços interiores acrescentando-lhes a exuberância do colorido dos Jardins e da sua cobertura vegetal.

Os Jardins Portáteis são comercializados pela empresa Robotarium Lda (mailto: lxxl [at] mail.telepac.pt)

As duas culturas

A 7 de Maio de 1959, Charles P. Snow, físico e escritor, proferiu em Cambridge uma conferência que viria a lançar um importante debate no meio académico. Habitante de dois mundos, o da cultura literária e o da cultura científica, Snow não entendia como era possível as duas culturas estarem tão claramente de costas voltadas uma para a outra.
Meio século depois a questão mantém-se e até se tornou mais pertinente.
Como artista que nos anos 90 se começou a interessar seriamente por Ciência posso confirmar, por experiência própria, a dificuldade de diálogo entre as partes. Do meu lado não entendia a ignorância da maioria dos cientistas sobre a cultura contemporânea, nomeadamente, no domínio da Arte, em que as referências ainda ficavam mais ou menos por alturas do Impressionismo. Hoje estou certo de que os meus interlocutores devem ter ficado abismados com o meu desconhecimento de coisas tão elementares em Ciência como, por exemplo, a Segunda Lei da Termodinâmica.
Outro factor de incomunicabilidade é a linguagem. Basta pensar na palavra Caos que para mim na altura significava desordem e aleatoriedade, mas para a Ciência significa um sistema determinístico, não-aleatório portanto, dependente das condições iniciais. Ou seja, um tipo de ordem bastante específico ainda que difícil de prever.
Mas na problemática relação entre Ciência e Artes há mais do que jargão e ignorâncias mútuas. No campo da Cultura das Humanidades, onde incluímos as Artes e as chamadas Ciências Humanas como por exemplo a filosofia, foi-se aprofundando uma enorme arrogância e desprezo pelo conhecimento científico. Ao ponto da própria palavra Cultura ter sido apropriada de forma a excluir a Ciência e a Tecnologia e, tanta vez, ser entendida como abertamente anti-científica. Ainda hoje muita gente considera que verdadeira cultura é aquela que defende a humanidade contra o saber científico e as tecnologias. Basta pensar como, por exemplo, os computadores e a Internet, foram e continuam a ser atacados como algo destruidor da verdadeira Cultura. É assim que muitos escritores ainda afirmam orgulhosamente escrever à mão ou advogam que a disponibilização de bibliotecas inteiras na Internet é um atentado contra a leitura. Ou como, sem surpresa, António Barreto, expoente do reaccionarismo intelectual, diz no último número da revista Ler que “o Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal”. E isto quando todos os estudos sérios demonstram precisamente o contrário, isto é, que o uso do computador e da Internet têm aumentado o consumo de livros e promovido grandemente a escrita e a leitura, em particular junto dos mais jovens.
Cinquenta anos depois do alerta de Snow a cultura literária e das artes tem vindo a radicalizar as suas posições contra a Ciência. O campo das Humanidades não tem parado de ampliar o seu desprezo pelo conhecimento, no pressuposto de que a expressão do humano se manifesta sobretudo através do subjectivismo e de diversas formas de sobrenaturalidade.
Ora esta visão, tipicamente de resistência ao estilo Ludita, é um efectivo problema das sociedades desenvolvidas. Ao se transformar a Cultura numa frente de combate ao conhecimento sabota-se objectivamente a evolução social e impede-se a criação de condições para que a criatividade e a inovação possam ter lugar.
A Ciência e a Tecnologia são os principais motores do progresso humano. A elas se deve o aumento, nalguns casos exponencial, de bem-estar individual e de avanço civilizacional. Basta comparar as condições de existência de hoje com algumas décadas atrás. Na saúde, no acesso a bens e serviços, no saber, na capacidade de realização pessoal, grandes saltos foram dados graças a importantes descobertas científicas, desde os transístores à genética, para só citar dois exemplos.
O mundo precisa de um novo reencontro das duas culturas. Já não será à maneira renascentista quando não havia separação, vista sobretudo a necessidade de especialização. Mas é evidente que precisamos de uma nova Cultura do Conhecimento aberta ao saber e capaz de contribuir através da imaginação e da criatividade para a própria evolução e efectiva racionalidade humanista da Ciência. É por isso que há quem fale não de duas mas de três culturas. A das Humanidades, a da Ciência, e agora a da recombinação entre as duas.

Conferência em Praga

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