Fotografia

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A invenção da fotografia em meados do século XIX começou por ser uma curiosidade amadora, um processo quase alquímico, exibido nas feiras do incrível mesmo ao lado da mulher barbuda e do homem elefante. Mas cedo a sua influência na cultura humana e em particular nas artes foi determinante. Nestas permitiu a grande libertação do próprio objecto artístico, passando da representação de algo para a apresentação de si mesmo e de que a arte abstracta é o grande salto conceptual. Depois, com Muybridge, a fotografia descobre o movimento e o cinema e um pouco mais tarde com Walter Benjamin entende-se já não só como reprodução de vistas parcelares do mundo, mas como modelo maior desta sociedade das imagens e do espectáculo que é a nossa.

Hoje vivemos um processo algo semelhante. As novas tecnologias da informação já mudam radicalmente as nossas vidas, mas a percepção geral que predomina é a de um conjunto de gadgets, mais ou menos úteis, mais ou menos deslumbrantes. Em particular no domínio da cultura e da produção artística a sua influência é ainda incipiente, senão mesmo objecto de uma rejeição em nome de uma pretensa singularidade criativa do humano. Mas é uma questão de tempo. A maioria das pessoas pode não se ter dado conta, mas a revolução artística do futuro já começou e é imparável. A arte anda sempre mais depressa do que a sua notícia.

[ imagem da série RGB ]

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